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Na tarde do dia 8 de Março de 2010, o nosso grupo dirigiu-se à Escola Básica do Serrado para assistir a uma sessão de musicoterapia feita pelo Dr. Jorge Felício.
Aí, tivemos o privilégio de observar os comportamentos de três crianças autistas:
v A primeira criança, o Nuno Rafael, tinha uma grande capacidade de aprendizagem e de memorização. A relação entre terapeuta e paciente requer trabalho e tempo. Ao longo do tempo vão-se notando avanços, como por exemplo: através de uma história inventada pelo músico terapeuta sobre as notas musicais, o Nuno aprendeu a desenhá-las e a lê-las. Quando, mais tarde, o terapeuta lhe pediu que escrevesse as notas musicais, surpreendeu-se com o facto de ele conseguir escrever as notas musicais sem a ajuda das personagens da história.
Tomando esse acontecimento como ponto de partida, o rapaz tornou-se capaz de tocar flauta de bisel e o órgão eléctrico lendo a pauta.
Reparámos que, enquanto estivemos presentes, Nuno Rafael agiu como se ninguém tivesse presente na sala para além dele e do músico terapeuta.
v Com a segunda criança, o Tomás, o instrumento musical utilizado foi o xilofone. Aqui observámos uma técnica diferente: o rapaz tocava excertos melódicos que o músico terapeuta logo reproduzia. Quando o contrário acontecia, ou seja, o músico terapeuta tentava que a criança o imitasse, esta não respondia de maneira eficaz, distraindo-se e começando a brincar. Para além disto, o Tomás era capaz de identificar as músicas que o músico terapeuta tocava no órgão, cantando-as.
Para esta criança, as sessões eram utilizadas, essencialmente, para relaxamento.
v Por fim, o João Gabriel, uma criança com um grau de autismo mais elevado que as crianças anteriores, foi a que mais interagiu connosco devido ao interesse que mostrou pela máquina fotográfica e de filmar. Ficámos surpreendidas pelo seu conhecimento pelas tecnologias e pela obsessão de se ver a si mesmo nas filmagens.
Durante a sessão, verificámos que o João tinha uma grande capacidade de reproduzir os sons que Jorge Felício tocava no órgão e no xilofone. No caso do João, o musico terapeuta fez-nos notar duas coisas: quando o terapeuta fazia sons mais agudos ou punha o som do piano mais alto, o rapaz ficava perturbado, tapava os ouvidos e tentava parar o barulho; o olhar do João era como que um olhar vazio e profundo, incapaz de olhar directamente nos olhos de alguém.
Terminadas estas sessões, já à conversa com o terapeuta, descobrimos a importância do toque para estas crianças e dos diferentes meios para contactar com crianças de níveis de autismo diferentes. Através da utilização da máquina fotográfica, conseguimos captar a atenção de João Gabriel ao contrário dos outros que reagiram mais reticentes, ou mesmo indiferentes á nossa presença.
Com esta sessão podemos visualizar várias técnicas activas de musicoterapia em que, para cada criança autista, eram utilizados diferentes estímulos.
Uma experiência muito enriquecedora!

Muito interessante e, sobretudo, enriquecedor. Parabéns pelo vosso trabalho. Estarei atenta a actividades futuras!
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