terça-feira, 9 de março de 2010

Observação de uma sessão de musicoterapia

Na tarde do dia 8 de Março de 2010, o nosso grupo dirigiu-se à Escola Básica do Serrado para assistir a uma sessão de musicoterapia feita pelo Dr. Jorge Felício.

Aí, tivemos o privilégio de observar os comportamentos de três crianças autistas:

v A primeira criança, o Nuno Rafael, tinha uma grande capacidade de aprendizagem e de memorização. A relação entre terapeuta e paciente requer trabalho e tempo. Ao longo do tempo vão-se notando avanços, como por exemplo: através de uma história inventada pelo músico terapeuta sobre as notas musicais, o Nuno aprendeu a desenhá-las e a lê-las. Quando, mais tarde, o terapeuta lhe pediu que escrevesse as notas musicais, surpreendeu-se com o facto de ele conseguir escrever as notas musicais sem a ajuda das personagens da história.
Tomando esse acontecimento como ponto de partida, o rapaz tornou-se capaz de tocar flauta de bisel e o órgão eléctrico lendo a pauta.
Reparámos que, enquanto estivemos presentes, Nuno Rafael agiu como se ninguém tivesse presente na sala para além dele e do músico terapeuta.


v Com a segunda criança, o Tomás, o instrumento musical utilizado foi o xilofone. Aqui observámos uma técnica diferente: o rapaz tocava excertos melódicos que o músico terapeuta logo reproduzia. Quando o contrário acontecia, ou seja, o músico terapeuta tentava que a criança o imitasse, esta não respondia de maneira eficaz, distraindo-se e começando a brincar. Para além disto, o Tomás era capaz de identificar as músicas que o músico terapeuta tocava no órgão, cantando-as.
Para esta criança, as sessões eram utilizadas, essencialmente, para relaxamento.


v Por fim, o João Gabriel, uma criança com um grau de autismo mais elevado que as crianças anteriores, foi a que mais interagiu connosco devido ao interesse que mostrou pela máquina fotográfica e de filmar. Ficámos surpreendidas pelo seu conhecimento pelas tecnologias e pela obsessão de se ver a si mesmo nas filmagens.

Durante a sessão, verificámos que o João tinha uma grande capacidade de reproduzir os sons que Jorge Felício tocava no órgão e no xilofone. No caso do João, o musico terapeuta fez-nos notar duas coisas: quando o terapeuta fazia sons mais agudos ou punha o som do piano mais alto, o rapaz ficava perturbado, tapava os ouvidos e tentava parar o barulho; o olhar do João era como que um olhar vazio e profundo, incapaz de olhar directamente nos olhos de alguém.


Terminadas estas sessões, já à conversa com o terapeuta, descobrimos a importância do toque para estas crianças e dos diferentes meios para contactar com crianças de níveis de autismo diferentes. Através da utilização da máquina fotográfica, conseguimos captar a atenção de João Gabriel ao contrário dos outros que reagiram mais reticentes, ou mesmo indiferentes á nossa presença.

Com esta sessão podemos visualizar várias técnicas activas de musicoterapia em que, para cada criança autista, eram utilizados diferentes estímulos.


Uma experiência muito enriquecedora!

1 comentário:

  1. Muito interessante e, sobretudo, enriquecedor. Parabéns pelo vosso trabalho. Estarei atenta a actividades futuras!

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